Rufus se sentia enjoado pela cena do dia anterior, mas não mostrava. Passara a noite com a velha e os dois generais restantes. Não falaram quase nada, todos pensativos. Na cabeça do menino a imagem maligna da deusa estava fresca. “Adeus, velho amigo”, ela dissera. “Não gosto de ver as pesoas sofrendo”.
- Vamos comer feijões, precisamos recuperar nossas forças. – disse Marininha enquanto levantava e se foi para a cozinha.
Os outros permaneceram sentados por um tempo até que se levantaram um por um e seguiram a menininha. Rufus foi o último. Agora pensava no enterro de João. Em sua ssepultura, naquela manhã, vira uma inscrição que mexera com seu coração:
*desenho
Jõao Pedro Jericó de Andrade
12-07-1988
+ 03-11-2010
“Física e Química
é coisa do passado
A moda agora é
Matar esse malvado.”
Rufus lembrou da história de JP, e assim lembrou também do que a maldade de Artur e Camilla fizera com todos osd amigos, como todos tinham planos que foram abandonados, sacrificados para a realização de um Bem maior. O garoto não conseguia sequer imaginar a vida dessas pessoas desde então. Olhou para eles com muita atenção: Marina, Charles, Clara, Jacobs, e outros que Rufus não conhecia. Também compareceu (e Rufus percebeu isto com um constrangimento receoso) Nelson, o coveiro metrossexual, que aparentemente conhecera JP naquele passado (utópico, se comparado com a realidade).
Um desejo de justiça inflamou o peito do garoto. Ou talvez fossem os feijões excesivamente apimentados, mas Rufus queria fazer algo. Tinha de fazer algo. Olhou para cada um dos presentes. Estavam casbibaixos. O silêncio o irritava. Isso se juntou ao desejo que sentia e tudo explodiu dentro de Rufus.
- O que vamos fazer a respeito disso?nosso exército não é tão forte nem tão numeroso... não daria para produzir mais Jacobs? E as técnicas de luta também não são tão boas, precisamos melhorá-las.
Estavam todos parados olhando para o garoto.
- “Nós”? – Foi Charles quem falou. – Da última vez que eu perguntei, você não estava envolvido na luta. Não foi isso que você me disse, Marina?
- Claro, Charles, ele é apenas uma criança!
- Mas vocês não têm tanta habilidade quanto eu! Quem sabia lutar era o JP. E tem a Clara, mas ela...
- Ei! – e Clara mordeu Rufus.
- Não se meta, garoto. – disse Charles – você não sabe como são as coisas.
Rufus estava indignado. Voltou para o pavilhão dos Jacobs (pois eles voltaram à chácara), mas assim que entrou teve a impressão de que havia alguém ali, embora todos os Jacobs (um número menor por causa da batalha) estivessem no funeral.
- Alguém está aí? – uma voz feminina perguntou. – Ei! Quem é você?
- Eu que pergunto! Quem ousa invadir o habitat dos Jacobs?
- Uma pessoa muito ousada – e, de trás de uma cama, apareceu Gabi.
- Ah. É só você.
- Como assim, “só você”? Sou EU, a grande-líder-mestra-ultra-confiante do nosso grande-incrível-super-Deus-Artur.
- E eu. O Juque. – e este saiu de baixo da mesma cama.
Ao ouvir o nome do maligno assassino, a raiva de Rufus surpreendeu o próprio menino.
- Ficou bravinho! Não se preocupe... – Luque foi se aproximando lentamente de Rufus. – Isso irá terminar repidamente...
Rufus sentiu medo. Por mais patéticos que fossem, Luque e Gabi eram maus. Ou pelo menos pareciam ser. E o que quer que pretendiam fazer com ele não era nada bom. Mas o garoto fingiu não ter medo:
- O que vocês estão fazendo aqui?
- Você logo vai descobris... isso se nós não te matarmos antes!
E os dois mendigos atacaram, não com suas pistolas, mas com bastões. No entanto, no momento que íam atingir Rufus, o garoto abaixou, e os bastões que o atingiriam bateram um no outro, mas sendo um dos atacantes mais fraco, o bastão atingiu a cabeça do Luque. Os dois se levantaram novamente, mas Rufus se escondera.
- Ok, garoto, fique aí... é mais prático mesmo. – Gabi riu-se, e foi embora.
Rufus correu para avisar Charles e Marina, mas na porta encontrou um Jacobs. Atrás, outro Jacobs. E de repente um mar de Jacobs adentrava o pavilhão, Rufus tentando andar contra a corrente com pouco sucesso, sendo carregado para o fundo do pavilhão.
Quando todos os Jacobs se acomodaram (pedindo desculpas a Rufus pelo incômodo), o garoto pôde sair do dormitório. Deu quinze passos em direção à casa principal e o pavilhão atrás de si explodiu.
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